O Criador de Frankensteins


Num passado distante, várias pessoas com suas crenças desejavam sobreviver ao tempo depois da morte, se transformando em verdadeiras múmias pelas várias técnicas de preservação de seus corpos. Outras já no entanto, com suas mentes profundamente estudiosas, tentavam ressuscitar a vida o mais rápido possível, juntando várias partes de membros, órgãos e troncos, refazendo assim um novo ser, totalmente misto e totalmente sombrio. Hoje vocês terão conhecimento de um caso verídico, que sempre foi mantido sobre segredo absoluto. Sua identidade como sempre será totalmente preservada, utilizando-se somente de um pseudônimo. Vocês conhecerão a história do doutor Nicodemus, um verdadeiro criador de Frankensteins...

Nicodemus era um professor de medicina que passava noites e noites devorando todos os conhecimentos da anatomia humana. Desde a época da faculdade, ele sempre foi um homem tímido, que nunca conseguiu esquecer o trote constrangedor que alguns colegas lhe passaram há décadas atrás, quando ele ainda era um calouro. Mas o doutor Nicodemus, além dos livros técnicos de medicina, também gostava muito de pesquisar sobre o lado sobrenatural das coisas, até que descobriu algo que mudaria completamente a sua forma de pensar, elevando-o para uma outra consciência totalmente sombria, fazendo-o passar de mero professor universitário, para um verdadeiro mestre da magia negra, onde nas horas vagas, ele dava andamento nos seus projetos insanos, onde misturava os conhecimentos humanos com verdadeiros absurdos realizados em seus rituais.

Filho único e herdeiro de uma verdadeira fortuna, o doutor Nicodemus trabalhava por prazer e residia sozinho em sua bela mansão, num bairro nobre de Campinas (SP),  e nos finais de semana, após pagar mensalmente a propina exigida por alguns guardas corruptos, Nicodemus conseguia acesso fácil ao setor de cadáveres da universidade, onde sempre saía de lá com pequenas partes dentro de algumas caixas, alegando sempre para os guardas que ele levava alguns equipamentos para manutenção à uma empresa terceirizada, da qual ele fazia parte.  Mas para evitar alguns problemas administrativos, esses guardas precisavam sempre desligar o sistema de segurança das câmeras, que filmavam toda a movimentação de entrada e saída deste setor. Como todos esses guardas contavam mensalmente com o seu salário extra, pagos pontualmente pelo doutor Nicodemus, e como também nunca houve suspeitas de faltar absolutamente nada naquele setor, esse costume se estendia normalmente. Mas na realidade Nicodemus não saía de lá com equipamentos e sim com verdadeiras partes humanas, principalmente aquelas que eram usadas na última aula de anatomia que era cursada todas as sextas-feiras, que geralmente sofriam alguns danos causados pelos alunos e em seguida precisavam ser cremadas. Elas eram as jóias preferidas do doutor Nicodemus.

Após realizar vários testes, envolvendo membros de cadáveres com eletricidade estática, Nicodemus foi evoluindo a sua técnica, que alimentada também pela loucura de sua crença naqueles rituais, ele conseguiu o seu primeiro feitio, ou seja, após montar uma verdadeira máquina estranha, onde ele hidratava e alimentava um braço humano, ejetando e retirando sangue humano, dele próprio, através de uma pequena bomba, ele conseguiu visualizar alguns movimentos totalmente coordenados pelos comandos de sua voz, onde ele recitava: " Abra a mão " ou " feche a mão ", e aquele braço obedecia, estendendo e abrindo todos os dedos e depois se contraindo e fechando todos eles. Ele inacreditavelmente havia conseguido trazer vida sobrenatural para um membro morto e isso era apenas o começo de sua incalculável experiência sinistra, que com o passar do tempo também iria evoluir para um novo estágio muito macabro. Nicodemus não podia contar isso para ninguém, pois além de discordar totalmente da ética, ele ainda poderia ser considerado suspeito pelos seus futuros crimes que já estava planejando, seguindo sempre os objetivos de um livro especial que ele havia encomendado por um fiel seguidor de uma crença necromântica.

O tempo passou e assim que chegaram as férias de dezembro, Nicodemus oferece uma festa de aniversário totalmente secreta em sua mansão, onde convidou somente dois alunos mais preferidos e fiéis a ele. Naquela noite, ele colocou um poderoso sonífero em suas bebidas e depois cometeu um duplo assassinato, retirando em seguida e cuidadosamente  todos os seus membros e órgãos, acondicionando-os em seu pequeno laboratório.

Horas depois ele retoma as suas experiências, remontando dois novos corpos, sendo esses, formados pelos membros e órgãos um do outro, trocando os corações, os pulmões e os genitais. O doutor Nicodemus agora se sentia quase que realizado, bastando apenas ligar a sua máquina e irrigar aqueles organismos com os seus sangues trocados. Era algo totalmente ilógico e contra todos os conhecimentos da medicina, que jamais obteriam êxito por estarem totalmente em desacordo com as leis da biologia humana, exceto a um ingrediente especial, a magia negra.

Nicodemus, com aqueles dois corpos todos suturados e em posição ereta, amarrados agora sobre uma mesa vertical, ele então aguarda a hora certa para pronunciar suas palavras secretas, que deveriam ser ditas exatamente após o terceiro raio de uma tempestade negra que estava se formando naquele instante, por uma solicitação e intervenção sobrenatural.

De posse de uma versão especial, de um livro similar ao Necronomicon, já aberto exatamente na página daquele ritual macabro, ele então ouve o estalo do terceiro raio explodir no céu e começa a recitar algumas palavras em latim. De repente, tudo começa a tremer naquele laboratório por poucos segundos, mas absolutamente nada de mais acontece.

- Energia ! Eles precisam de energia... – ele pensa alto. E com as mãos e pés encharcados de sangue, ele então puxa uma alavanca para ligar seu aparelho gerador, mas esquecendo dos conceitos básicos referente as regras da eletricidade, ele acaba sendo eletrocutado por estar servindo de condutor. Durante os momentos de sua possível morte, algo estarrecedor acontece. Os dois cadáveres, totalmente nus e muito suturados, abrem seus olhos naquele momento, absorvendo misteriosamente as energias vitais do doutor Nicodemus. E após ele se tornar um corpo carbonizado, interrompendo assim a energia daquele equipamento, os dois cadáveres se libertam de suas amarrações e com uma fome de carne incontrolável, começam a devorar um ao outro, restando no final seus esqueletos, seus cabelos e algumas partes de peles espalhadas pelo chão.

No dia seguinte, um veículo preto estacionou em frente a casa do doutor Nicodemus. Dele desceu um homem encapuzado e com uma chave mestra conseguiu abrir a porta principal daquela mansão. Encontrando o laboratório de Nicodemus, ele então recolhe aquele misterioso livro e sai imediatamente.

O sistema de vigilância da casa do doutor Nicodemus filmou tudo, porém nada foi descoberto até hoje. Este relato que me foi enviado por um remetente desconhecido, eu até posso  de forma literária compartilhar aqui com vocês, mas porém jamais poderei revelar a verdadeira identidade desse homem encapuzado, que talvez tenha escrito o verdadeiro ritual necromântico, aquele que ressuscita os mortos, transformando-os em verdadeiros monstros, que depois é devorado por eles, devido a sua própria e incontrolável fome de sabedoria oculta... 

                              

2 comentários:

  1. Nossa! Que sinistro... Gostei, apesar do canibalismo.
    Beijo!
    Rosane

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  2. É Rosane, esse conto é bem sinistro mesmo...
    Deve existir muitos doutores Nicodemus por ai a fora... Agente que não fica sabendo... (rs.rs.rs)
    " de médico e louco, todo mundo tem um pouco "

    Bjs...

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