A Máquina do Tempo...


Ali estava eu novamente, hospedado em um quarto de hotel em São Paulo, cujo nome, claro, não posso revelar. Eu já sabia que uma das linhas do Metrô cruzava o subsolo daquele local e havia até mesmo me acostumado com o zunido em determinados momentos da noite.

Misteriosamente, na passagem do último trem, aconteciam coisas estranhas, mas, no início daquela madrugada eu pude sentir uma vibração diferente.  Enquanto ele passava pude observar melhor o efeito. Notei que a televisão, as lâmpadas, o meu celular e também o notebook sofreram certa interferência com aquilo, que só acontecia uma única vez, justamente no último trajeto do dia.

Certa noite, minutos antes de o fenômeno ocorrer, precisei descer à recepção, onde tinha uma máquina de vendas, para comprar um refrigerante. Mas, justamente naquele momento, todos os elevadores estavam muito cheios, pois era um final de semana e muitos hóspedes estavam acabando de chegar. Resolvi, então, usar as escadas, pois eu estava hospedado no 1º andar e descer alguns degraus era mais rápido do que ficar aguardando os elevadores chegarem. Já tinha feito isso algumas vezes durante aquelas semanas.

Fui descendo as escadas e, bem naquele instante, novamente o trem do Metrô estava passando ali embaixo. A luz começou a piscar exatamente no momento em que eu estava abrindo a porta para adentrar o corredor da recepção.

Ao pisar no corredor, a porta se fechou atrás de mim e o ambiente se alterou completamente. Eu estava, agora, dentro de uma estação de trem, provavelmente em outro tempo, no passado. Olhei para trás tentando achar a porta, mas ela já não existia mais.

Estava tudo muito escuro naquele local de embarque, as poucas lâmpadas, penduradas na parede daquela velha estação subterrânea, estavam distantes umas das outras.

De repente um grito ecoou, vindo lá de trás. Tentei me esconder atrás de uma grande e larga coluna. Fiquei observando atentamente o local e ouvi o som de algo sendo arrastado naquele corredor. Não ousei sair dali, pois sentia muito medo.

Logo passou por mim um homem vestido de maneira completamente estranha, usando roupas de outra época. Rapidamente, ele arrastava pelos braços o corpo de outra pessoa, talvez ainda viva. Ao passar perto de mim ele parou logo adiante, farejou algo estranho no ar, olhou para os lados e continuou aquilo que estava fazendo, ou seja, tentando esconder o corpo de sua vítima.

Mas, em questão de segundos um barulho assustador se aproximava. Desta vez, uma forma de energia azulada passou pelo túnel, sobre os trilhos, deixando toda aquela cena distorcida e me transportando imediatamente para o corredor do hotel onde acabara de pisar.

Fiquei muito encabulado com aquela situação, achei até mesmo que estava ficando louco. Contudo, a partir daquela noite comecei a observar alguns detalhes misteriosos que aconteciam naquele hotel.

Certa manhã, aproveitei o horário de entrada dos funcionários e, fazendo amizade com um deles, pedi que me levasse até o terraço do edifício. Disse que era apenas uma curiosidade minha e que lhe daria uma boa gorjeta caso conseguisse me levar até lá por alguns instantes. O funcionário, que por motivos óbvios não posso citar o nome, realizou, então, o meu desejo. Lá em cima, constatei que existia uma enorme antena, bem diferente das outras, além de um equipamento com características esotéricas, instalado bem ali ao lado daquela antena, captando, talvez, outro tipo de sinal, um sinal não convencional.

Desci ao meu quarto para arrumar minhas coisas e, após tomar o café no refeitório, saí para assistir às aulas de um curso que estava frequentando.

Quando a noite chegou fui me preparando e, exatamente no mesmo horário, ousei repetir o mesmo ato que havia feito na noite anterior: desci as escadas e durante a passagem do último trem abri aquela porta. Pronto, lá estava eu novamente naquela velha estação de trem subterrânea.

Desta vez, tomado por uma grande dose de coragem, caminhei até o final de um dos corredores e acabei encontrando uma porta gigantesca. Resolvi abri-la e me deparei com uma cena aterrorizante... Era um depósito de cadáveres! Todos ali, amontoados. Existia ainda uma enorme mesa no centro daquela sala, com muitos instrumentos cirúrgicos espalhados sobre ela. No entanto, o que me deixou mais perplexo foi ver dezenas e dezenas de recipientes de vidro, contendo corações humanos mergulhados em um líquido verde, todos enfileirados naquela mesa.

De repente escutei o mesmo barulho de algo sendo arrastado, vindo lá do corredor. Fechei a porta e me escondi ali dentro para observar o que iria acontecer. Vocês não vão acreditar... Assim que aquele homem entrou notei sua semelhança com um dos ícones da História. Era impressionante, ele tinha a mesma face de Hitler!

Ali, sobre aquela mesa, ele colocava suas vítimas e lhes extraía o coração, não sei exatamente com qual finalidade, talvez para alguma pesquisa.

Mas, afinal de contas, quem era ele e o que era aquilo tudo? Infelizmente, para essas perguntas eu não obtive respostas até hoje.

Novamente presenciei aquela energia azulada passando pelas paredes do túnel e, mais uma vez, a cena se distorceu. Agora tudo estava moderno e aqueles recipientes continham pequenos embriões, de aparência não muito humana. E, o mais absurdo, era que aquele homem não tinha mais a aparência de Hitler, mas do Einstein!

Qual seria a relação entre todas essas coisas? Eu confesso que fiquei literalmente perdido em busca dessa lógica.

Sem querer, me distraí e esbarrei num objeto, que caiu no chão e ocasionou um pequeno barulho, porém, em meio àquele silêncio, chamou a atenção do homem, que veio até mim. Sem que ele percebesse, peguei o objeto do chão e guardei-o no bolso. Segundos depois, quando aquele homem se aproximou e fixou seu olhar em mim, toda aquela cena se distorceu novamente.

Por mais incrível que possa parecer, ele agora possuía a minha face. Era exatamente a minha imagem, porém bem envelhecida. Ele também ficou impressionado ao me ver, notei isso em seus olhos, no momento em que ele tentou me tocar. E, repentinamente, de novo tudo voltou ao normal. Eu estava, então, novamente na recepção do hotel, comprando o meu refrigerante.

Só consegui juntar essas lembranças fragmentadas alguns dias depois. A minha memória havia sofrido alguma forma de retardo.

Esse fenômeno não mais se repetiu. Tentei provocá-lo outras vezes, mas não consegui. Acho que deve existir um período certo, exato, para isso acontecer ou, talvez, de alguma forma eu tenha sido descoberto por alguém e banido de lá.

Será que eu havia descoberto acidentalmente a localização de um buraco de minhoca, ou seja, uma espécie de portal do tempo no subsolo daquele edifício? Ou será que aquele hotel é apenas uma fachada para esconder a máquina do tempo, já que possuía em seu terraço um equipamento tão sofisticado?

Estudando bastante o significado dessas cenas que visualizei, ou seja, os cadáveres, os corações extraídos, Hitler, os embriões, Einstein e tudo mais que compôs aquela viagem, cheguei a uma mensagem talvez profética, decodificada pela intuição da minha mente e muito provável de acontecer num futuro não muito distante, abalado por um pesadelo do passado ainda adormecido.

Eis a mensagem:

“Cuidado. A essência do mal ainda pode ser encontrada dentro de alguns corações humanos, sendo esse o principal ingrediente para a formulação de um extermínio que, provavelmente, poderá ser executado por um gênio terrorista ou homem-besta, que talvez consiga transformar a inteligência do mundo, reduzindo-a novamente à Idade da Pedra”.









   O Mestre dos Contos Fantásticos
                              

Revisado por:  Elabora Textos

17 comentários:

  1. André!!! Tuas histórias me fazem lembrar quando eu estava no Ensino fundamental! Eu adorava assistir aos filmes desse gênero...e cheguei a escrever algumas redações, sabia? Os meninos na minha sala gostavam...heheheeh
    Beijinhos e um bom final de semana para vc e sua linda família!

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  2. Marli,
    Eu ainda amo esse gênero e tenho muita saudade da minha turma de escola também !!!
    Da próxima vez que eu conseguir atravessar o portal, vou ver se consigo ir até lá... (rs.rs) Eletromagnetismo, ciência quântica e tudo que se move no espaço-tempo são os meus temas preferidos ! Eu sinto saudades de LOST até hoje...
    Tenha um ótimo final de semana também !!! Bjs

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  3. Puxa... Esse texto ficou EXCELÊNTE!!! Gostei muito mesmo!!!E não é pelo fato de eu ser fanático por histórias desse genero, mas é pq realmente ficou muito boa!!! Vc sabe distribuir bem mistério, suspense e ação nas suas histórias e isso as torna muito interessantes de serem lidas!!! Abração e parabéns mesmo!!!

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  4. Valeu Junior ! Vindo de você esse comentário, já que também é um grande escritor de ficção científica, eu juro que estou me sentindo muito honrado... Obrigado pela visita e um grande abraço meu amigo !

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  5. Oi, André!
    Diante deste conto, depreende-se que você não é só mestre do conto fantástico e de suspense, mas também da ficção científica.
    O protagonista (você ou não) certamente tem dom mediúnico pela sua capacidade de transcender no espaço e no tempo, pois os demais personagens não perceberam a mudança.
    Você tem mesmo uma mente fértil e criativa, ingredientes que lhe fazem mestre neste segmento literário.

    Parabéns pela sagacidade!

    Abraços!

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  6. Obrigado pelas palavras meu amigo Bento !
    Escrever faz tão bem à alma que as vezes eu me transcendo além das leis da física... rs.rs.rs
    Abraço !

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  7. André, seu blog é muito legal e bonito. Obrigada por estar seguindo o meu (Instante Literário). Espero que goste.
    Abraço.
    Marina

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  8. Marina, obrigado pela visita !
    Eu adorei o seu blog viu ! Bjs

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  9. ***blog wonderful, congratulations***
    I am following…
    -Visit my photos-
    www.top-graf.com
    Kisses

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  10. Olá André Victtor,

    Tanta imaginação e enigma!
    Aquele hotel devia estar escondendo algo.
    Cadáveres, recipientes com corações...temeroso!
    Gostei da sua mensagem: O mal anda por aí.
    Quando lhe for posível, passe no meu blog.
    Tenho saudades dos seus comentários.

    Beijos para você e para a sua blogueirinha, que julgo, se chamar Juliana.

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  11. É Luz, imaginação é o que não me falta (rs.rs.rs)
    Estou meio ausente de lá devido tantas coisas que estou resolvendo, mas hoje mesmo passarei para beber um pouco de suas palavras, pois também sinto saudades suas ! Bjs...

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  12. Olá André Victor,

    O seu comentário me tocou, sabia?
    Espero, que o amor, que eu escrevo, que eu quero dar, entregar, fique nos olhos e na alma dos leitores.
    Sou assim, sempre fui.
    Sou feminina, mas não feminista e adoro tolerância e entendimento. Cada um tem o seu lugar.
    Não custa nada fazer um afago, dar um sorriso, lançar um olhar meigo, é só querer.
    Sou afável e meiga por natureza. Fui e sou muito amada.
    Eu preciso de dar. Me é vital.

    Para você e sua filhinha muito amor e ternura, de todo o coração.
    Boa semana.

    Beijos carinhosos de luz.

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  13. Bom conto, André. Esse estilo narrativa, faz com que a gente acompanhe e seja conduzido para onde o autor deseja.

    A parte do depósito de cadáveres amontoados ficou tétrica. A cena é realmente aterrorizante!

    Achei engraçada a expressão "buraco de minhoca".

    E a mensagem final é pra se ficar refletindo, sem dúvida.

    Ahh, coloquei teu blog na minha lista de favoritos.

    Parabéns. O texto está bem escrito. A meu ver não há muito a ser revisado. Mas acho bacana esse seu cuidado com a gramática. ;)

    Abraços!

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  14. Muito obrigado pela visita Rosa e que bom que gostou do texto, fico muito feliz por isso !!!
    "Buracos de Minhoca" é o nome que os cientistas dão aos atalhos possivelmente existentes na distorção do espaço-tempo, digamos que é um portal dimensional...
    Bjs

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  15. AI QUE MEDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!! MÃEEEE!!!

    OLÁ!!!
    MEU NOME É JAKE, SOU PONTO DE BASE DO CLUBE DOS NOVOS AUTORES, E VIM CONHECER O SEU BLOG!
    VAMOS JUNTAS AJUDAR A DIVULGAR OS LIVROS? COM 100 SEGUIDORES EU INCIO UM BOOKTOUR NO MEU BLOG COM UM LIVRO DO CLUBE, VOCÊ ME SEGUE?
    QUERO PARCERIA!!! IUUUPIII
    SEGUINDO AQUI!!!

    BJS

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  16. André!
    Sabe que lembrei da minha infância/adolescência?kkk
    Adora escrever contos fantásticos, vivia escondendo de todo mundo.
    Ao ler seu belo conto, reportei-me a essa época... o quanto gosto desse tipo de literatura e o quando deixei adormecidad dentro de mim.
    Parabéns! Surreal sua literatura!

    Aproveito para agradecer as visitas ao blog, ando devagar para retribuir, mas acabei chegando aqui. Obrigada e bom domingo!
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/

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  17. Rudynalva, fiquei muito feliz por sua visita e pelo seu comentário ! Obrigado mesmo, de coração !
    Meus contos são verdadeiros links que nos levam aos mistérios da alma, e claro, foram feitos para pessoas como você, que gostam de degustar esse tipo de literatura chamada de fantástica...
    Volte sempre !!!
    Bjs

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