O Escritor do Livro da Vida...


Contarei, agora, um caso muito recente, que me deixou intrigado até hoje. Entendam que não espero que alguém acredite piamente nisso, mas eu, mesmo não acreditando, não achei justo testemunhar tamanha loucura e não compartilhar com a outra parte de mim, a porção escritora de meu ser, cuja força de extração psíquica já me venceu há muito tempo. Mas, vamos lá, vou tentar fazer o possível para descrever somente aquilo que consigo recordar... sem dar asas à criatividade.

Há pouco tempo, estive em São Paulo novamente para fazer um determinado curso e por lá fiquei quase um mês inteiro, hospedado em um hotel, ali perto da Avenida Paulista. Antes de sair de minha cidade, ou melhor, de minha casa, na noite anterior à viagem eu tive um sonho. Sonhei que à minha volta, havia várias pessoas chorando, outras cochichando e vários parentes chegando. Mas, eu não estava ali com eles, sentia que estava meio que dormindo, com muito sono mesmo e aquelas conversas me incomodavam. Nisso, aproximou-se de meu leito, um homem desconhecido que, chegando perto do meu ouvido esquerdo, disse em voz baixa o seguinte:

"Vim buscá-lo. Porém, confesso que estou confuso. Acho que aconteceu um equívoco, pois existem dois Andrés em minha lista. Mas, lhe garanto uma coisa, um deles eu terei que levar. Por enquanto vou deixá-los seguir, até que eles resolvam essa duplicidade. Saiba que o bom, o caridoso, com certeza ficará. Até mais..."

Isso foi só o que restou daquele sonho horrível. Juro que não me lembrava dele antes da viagem, caso contrário, jamais sairia de casa naquele dia. Bom, acordei de manhã e minha esposa me levou até a rodoviária de minha cidade. O ônibus partiu, naquele domingo, exatamente às 7 horas e 10 minutos. Ainda no perímetro urbano, encontrei uma amiga que há muito tempo não via. Ela estava indo trabalhar em uma cidade vizinha e seguimos conversando até lá, onde nos despedimos. Talvez, se ela acessar essa história, poderá facilmente se lembrar daquele dia. Notei que o cobrador do ônibus não me era estranho e, durante toda a viagem, quando ele passava por mim, me olhava de um jeito diferente, parecia que estava me policiando o tempo todo. Eu disfarçava o olhar, pois ele poderia estar me confundindo com alguém. Chegando à rodoviária de São Paulo, peguei o Metrô e, novamente, havia um homem ali de pé, próximo a mim, com o mesmo olhar daquele cobrador, segurando no apoio lateral. Desci na estação Paraíso, onde peguei outro trem com sentido à estação Brigadeiro e de lá segui para o hotel. Devia ser aproximadamente 13 horas e eu já estava faminto. Fiz o check-in na recepção, subi para deixar as coisas no quarto e desci novamente para almoçar ali por perto.

Uma leve dorzinha de cabeça começava a me incomodar durante a tarde. Ao cair da noite, aquela dor de cabeça começou a ficar insuportável. Fui bombardeado por uma terrível enxaqueca, como nunca tinha experimentado antes, eu rolava na cama, pra lá e pra cá. Desci até a recepção, onde havia um pequeno setor de vendas, mas a recepcionista disse que ali não havia medicamentos e que a farmácia mais próxima ficava a três quadras do hotel. Achei melhor voltar para o quarto, pois não estava me sentindo bem e sair sozinho naquela hora da madrugada era muito arriscado, poderia ser assaltado. Voltei para o quarto e me deitei, mas aquela enxaqueca se tornou uma tortura que jamais esquecerei. Precisei ir tomando vários banhos consecutivos para suportar aquela forte dor de cabeça e, assim, tentar passar aquela madrugada interminável. Estava a ponto de telefonar para minha residência e pedir socorro, tamanho o desespero. Eu já estava achando que fosse morrer nas próximas horas. Depois de um tempo aquela dor foi passando e adormeci, porém, já eram quase 6 horas da manhã de segunda-feira. Consegui dormir por apenas 2 horas, vindo a acordar às 8 horas. Tomei um maravilhoso café no hotel e segui para a Avenida Paulista, ainda meio grogue de sono.

Ao atravessar uma faixa de pedestres, com o sinal já fechado para os carros, quase fui atropelado por um veículo preto, cujo motorista, ao frear bruscamente, me olhou com aquele mesmo olhar do cobrador do ônibus. Estive por ali durante vários dias, sempre trombando com alguém que tinha aquele mesmo olhar. Era impressionante aquela perseguição, aquela sondagem feita por aquele...ceifeiro... Ele estava o tempo todo atento, esperando somente pela hora certa de me levar. Houve casos, em determinados dias, que até mesmo o elevador do edifício entrava em pane, subindo ou descendo rapidamente, assustando muitas pessoas que presenciavam o fato. Mas, eu jamais comentei com alguém sobre o que era aquilo e, em uma das vezes, resolvi até mesmo abandonar o elevador e pegar outro.

Aos finais de semana eu ia para a casa de minha cunhada, que morava em Santana e, várias vezes, pelo caminho, fui acompanhado de perto por alguém que, de certo modo, estava me vigiando. Certo dia, consegui disfarçadamente fazer uma fotografia de um deles. Eu estava aguardando o Metrô chegar da estação Tucuruvi para voltar à Paulista e acho que fui bastante rápido no pensamento, conseguindo enganá-lo com a minha câmera.

Assim que desembarquei no centro da Avenida Paulista caminhei até seu início, onde havia uma lanchonete que eu gostava muito de ir. Comi um lanche e comprei outro para levar, pois estava muito cansado e não queria me preocupar com o lanche da noite. Quando saí da lanchonete, vi um mendigo sentado do lado de fora, quietinho, olhando para mim com um sorriso, porém, com todo o sofrimento estampado naquele semblante. Ele simplesmente me olhava, sem nada falar. Ao passar por ele, deixei cair despercebidamente uma nota de R$ 20,00 que veio de troco e havia acabado de guardar em um dos bolsos de minha calça. Aquele bondoso mendigo me chamou rapidamente e mostrou a nota, ainda ali no chão. Agradeci a ele e pensei em doar aquele dinheiro como esmola, mas imaginei que ele talvez pudesse gastar em bebida. Então, voltei à lanchonete e encomendei outro lanche.

Ao entregar aquele lanche quentinho para o mendigo comer, notei que seu semblante mudou completamente. Pude perceber a felicidade e a esperança brilhando em seus olhos, pois o seu alimento estava garantido naquela noite. Ele agradeceu muito e disse que há dois dias não comia nada. Disse ainda que eu devia ser um anjo vestido de gente e em seguida me abençoou. Perguntei o seu nome e, rapidamente, antes mesmo que ele me dissesse algo, seu rosto se transformou em um dos rostos mais conhecidos pela humanidade e um brilho encantador cintilava em seus olhos. Ele então me disse:

“Meu nome é Jésus, mas pode me chamar de JESUS. Agora vá e continue o seu caminho, você fez e fará por merecer. Apenas escreva isso em seus contos, pois EU TAMBÉM ESCREVO HISTÓRIAS... CERTAS, PORÉM, POR LINHAS TORTAS...”

Eu até me arrepiei naquele momento, mas de profunda felicidade, porque uma Paz absoluta tomou conta do meu coração. Juro que ao relembrar e escrever isso, meus olhos se encheram de água. No meu novo nome, eu carrego duas letras "T" em forma de duas cruzes: uma é a minha; a outra é a Dele. Por isso, sou duplamente protegido, duplamente compreendido e, talvez, duplamente nascido... 

Meu novo nome?  André Victtor.

Naquela noite, no hotel, eu dormi como um anjo e sonhei que estava sendo arrebatado por Jesus. Era um céu azul com nuvens brancas e espaçadas. Soprava uma brisa leve e eu podia ver alguns pinheiros no alto de uma montanha. Misteriosamente, nunca mais vi aqueles homens, com seus olhares tão parecidos, que estavam me seguindo e tentando, de alguma forma, me levar desta vida. Acho que aquele gesto de caridade me salvou. Eu finalmente passei no teste e meu nome foi retirado da lista daquele ceifeiro. Jesus me salvou, por intermédio da boa ação feita àquele mendigo. Incrivelmente, o local onde isso ocorreu leva o nome de Rua da Consolação.

"Bem-aventurados aqueles que consolam os aflitos, porque serão abençoados."

"Bem-aventuradas as almas generosas que partilham o Meu Cálice: serão chamadas herdeiras da Minha Salvação."

"Bem-aventurados aqueles que se não diferenciam sob o Meu Santo Nome, mas mostram a União através da sua humildade e do seu amor: serão chamados Colunas e Alicerces do Santuário de Deus."








* História Verídica.


"Passarão o Céu e a Terra, mas as Minhas Palavras Não Passarão( Lc 21, 29-33 ).                                            

18 comentários:

  1. Olá estimado André Victtor,

    "Bebi" o seu texto. Prendeu a minha atenção de alto a baixo.
    Que coisas bizzarras e maravilhosas acontecem prá você!
    Acredito, plenamente, em tudo o que nos contou.
    O poder de Jesus é infinito!
    Quem dá recebe sempre a dobrar.

    Beijos carinhosos de luz.

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  2. Com certeza Luz, é isso mesmo !
    O poder de Jesus é inimaginável !
    E acredite, tudo isso foi verdade...
    Eu somente dou vida às palavras...
    Adoro os seus comentários !
    Bjs...

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  3. Oi, eu de novo,

    Acha, que mereço tanto?
    Não reparou nas novas imgens e vídeos'
    Hoje, sou aniversariante.
    Beijos de luz.

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  4. Luz, perdoe a minha desatenção...
    Um Feliz Aniversário Iluminado !
    Meus Parabéns !
    Bjs

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  5. André, seus depoimentos e seus contos nos prendem tanto a atenção que É IMPOSSÍVEL não finalizar a leitura!
    Continue SEMPRE nos brindando com eles!!!

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  6. Valeu amigo Tony !
    Eu sabia que você iria gostar principalmente desta história... e que bom saber que está lendo até o final (rs.rs.rs)
    Com certeza continuarei brindando-os (como você disse), com muitas e muitas histórias e contos que ainda estão por vir...
    Um grande abraço !

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  7. André, independente de ser verídico ou não, seu conto é um testemunho de algo de extraordinário que lhe aconteceu que serve como reflexão e mensagem de despertamento para sermos mais humanos e fraternos com o próximo.
    Sua técnica da narrativa nos dar credibilidade em qualquer estória que você contar.

    Quero lhe agradecer pela visita, comentário inteligente e gentil no meu link.

    Minha filha desenha desde os dois anos. Tive a ideia de publicar porque algumas, coincidentemente, eram pertinentes com minhas postagens.Agora, ela me disse que se não tiver a pintura que quero, é só eu pedir que ela faz.
    Toda vez que alguém se refere aos seus desenhos, ele fica muito contente.

    Que bom que sua filhinha segue o caminho do pai!
    Ah, a Taci também já escreve estorinhas.

    Abraços e bom fim de semana para você e família!

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  8. André que experiência fantástica você foi abençoado, não é todo mundo que tem uma segunda chance.
    Bjus
    Claudia

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  9. Oi Victtor,

    Como vai?
    As desculpas estão aceites.
    Sou muito mimada, é isso.
    Passei para lhe dar um abraço misterioso e lhe desejar um bom final de fim de semana.

    Beijos carinhosos de luz.

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  10. oi André!!!que capacidade, heim?
    Sou escritora e tem sorteio de um livro no meu blog..vc quer participar?
    Beijinhos
    http://amazoniaumcaminhoparaosonho.blogspot.com/

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  11. Marli,
    Obrigado pelo seu elogio !
    Já estive lá no seu Blog e estou participando...
    Apareça sempre por aqui para ler minhas histórias, pois será muito bem-vinda !
    Bjs...

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  12. ok! heheheeh obrigada pela visita por lá!

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Jesus em sua infinita bondade e perdão,sempre com seu amor eterno aos seus filhos,sem duvida nenhuma maravilhoso.
    bjs

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  15. Essa é a maior das verdades Luciana !
    Jesus é o nosso melhor amigo que caminha com a gente nos piores momentos que talvez nem damos conta disso...

    Obrigado pela visita e por participar da Promoção ! Boa Sorte !
    Bjs

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  16. Oi André... tenho um espaço no blog que é para divulgar outros escritores.

    "Espaço para outros escritores!

    Enviar resumo do livro e capa.
    Resumo do autor e foto.(opcional)
    Link para interessados comprarem o livro.
    Seguir publicamente o blog e comentar.
    Disponibilizar um livro para sorteio. (o próprio autor encaminhará ao vencedor, autografado)
    Aqui..não precisa ser para já...agendamos uma data, mas já fica em divulgação a partir do momento que o escritor estiver interessado e fica lá..


    Também tenho uma amiga que escreve resenha......Beijinhos
    Marli

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  17. Legal Marli !
    Vou preparar o material e lhe enviar...
    e vamos ser parceiros de Blog também !

    * depois me envie o Blog dessa sua amiga...

    Bjs

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  18. Olá Victtor,

    Passei para lhe desejar um bom feriado, cheio de sorrisos, não místicos.
    AH! já tinha saudades!

    Beijos mimados de luz.

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