O Anestesista do Mal...


 Algumas pessoas acreditam, outras acham que é apenas uma lenda, mas, certamente, existe um fundo de verdade em tudo isso. Para compreendermos a sua origem será necessário mergulhar profundamente no passado, voltar para as eras distantes, tão distantes ao ponto de chegarmos bem próximo do Jardim do Éden...

Caim, segundo a Bíblia, teria sido um dos primeiros homens nascidos de uma gravidez normal aqui na terra, ou seja, resultado das relações sexuais entre Adão e Eva. (Gênesis 4:1). Diz ainda a Bíblia que Caim, após ser possuído pelo ciúme, resolveu armar uma emboscada para assassinar seu irmão, Abel, sendo esse o primeiro homicídio da história da humanidade. Depois que Caim matou Abel, ele partiu para a terra da fuga, conhecida por Nod ou Node, localizada a leste do Éden, para onde levou sua esposa, cujo nome não está mencionado na Bíblia. Lá, eles tiveram um filho, chamado Enoque. Caim começou a construir uma nova cidade e deu-lhe o nome do seu filho: a cidade de Enoque.

O tempo passou, os descendentes de Caim foram homens que se distinguiram pelo desenvolvimento da pecuária, pelo domínio da música nos seus instrumentos musicais, pela arte da forja do cobre e do ferro, além de outros que ficaram conhecidos por praticarem a poligamia e a violência. (Gênesis 4:17-24). A descendência de Caim terminou com a vinda do Dilúvio. Vale ainda lembrar que, para muitos, a concepção de Caim ainda é um grande enigma: Caim pode ter sido o resultado de um possível relacionamento sexual de Eva com a Serpente, o Demônio.  Conforme consta no Livro dos Jubileus, no sétimo ano da sétima semana do décimo nono jubileu, Caim teria morrido quando sua casa desabou sobre ele, matando-o por uma mesma pedra, tal qual havia assassinado o seu irmão Abel. Mas essa hipótese, do referido texto apócrifo, para muitos é duvidosa.

Muito se especula sobre qual seria a marca de Caim, ou melhor, qual seria a sua assinatura pós-morte. O que encontramos em diversos textos é que essa marca tratar-se-ia de um fenômeno chamado Vampirismo. Caim talvez seja o primeiro vampiro na terra, carregando, assim, um fardo perpétuo, um preço que ele terá que pagar por ter retirado a vida de seu irmão Abel. Na verdade, uma maldição eterna.

Agora que vocês conheceram o princípio e os fundamentos dessa maldição, irão tomar conhecimento de um caso real, cujo protagonista me autorizou a contar, porém, tive que jurar jamais revelar sua verdadeira identidade. Prefiro que ninguém acredite nisso; que pensem que é apenas um conto literário. Assim, ele nunca irá me incomodar e continuará vivendo por séculos e séculos, atuando em várias profissões e se infiltrando até mesmo nas batas da Santa Igreja.

Luciel nasceu de sete meses, num hospital da rede pública, localizado em um dos bairros da cidade de Belo Horizonte - MG, aqui no Brasil. Infelizmente, por ele ser prematuro, teve que ficar internado por alguns meses e foi mais um dos recém-nascidos raptados, naquele ano, dos diversos hospitais espalhados pelo país. O menino, então, foi criado por um casal de médicos, que mantinha um laboratório de análises clínicas, onde trabalhavam o tempo todo com fluidos humanos, principalmente exames de sangue e urina.

Ele foi condicionado, desde pequeno, a tomar pequenas doses de sangue misturadas ao leite. Então, com o passar do tempo, foi adquirindo resistência e desenvolvendo a necessidade e o gosto pelos componentes vitais do sangue. O garoto, enquanto era bem alimentado pelos pais, crescia forte, igual aos demais de sua idade, mas, quando faltava aquele alimento especial, Luciel ficava desnutrido e muito descontrolado psicologicamente. A orientação passada a ele pelos pais, em relação ao seu comportamento perante os outros, foi muito bem assimilada durante todos os anos de sua infância e adolescência. Em sua fase pré-adulta, Luciel ficou órfão de pai e mãe e, por sorte, conseguiu terminar sua tão sonhada Faculdade de Medicina.

O casal de médicos foi assassinado por autores desconhecidos e os corpos foram encontrados carbonizados, com uma espécie de lança de prata cravada em seus tórax, misturados aos escombros daquele laboratório, que foi incendiado e totalmente destruído. A partir daí o Dr. Luciel precisou se virar sozinho, inclusive com relação à sua “alimentação”.  Por ser um ótimo anestesista, conseguiu trabalhar em vários hospitais da região de Belo Horizonte. Nessa função, percorria muitas estradas durante as madrugadas, quando era chamado para as emergências ou, ainda, para cumprir os seus contratos de plantões de fim de semana em algumas unidades de saúde. Em sua casa, algo não podia faltar em sua geladeira. Eram as várias bolsas de sangue e de plasma, que ele estocava sob a temperatura ideal de 24ºc. Aquilo era o seu alimento básico. Se porventura faltasse, alguém teria que servi-lo, mesmo que fosse com a própria vida.

Certo dia, um acidente grave aconteceu nas redondezas e Dr. Luciel foi chamado durante a madrugada, para uma cirurgia de emergência. Naquela semana a sua geladeira estava completamente vazia. Todos os hospitais em que ele trabalhava estavam sendo investigados pelo desfalque de bolsas de sangue. O Dr. Luciel chegou muito irritado àquele hospital. Colocou suas vestimentas e, sem cumprimentar os colegas, entrou no centro cirúrgico. Toda a equipe médica estranhou o seu comportamento. Ele começou a sedar aquele paciente na mesa cirúrgica, porém, a respiração do anestesista foi ficando ofegante. Ninguém ousou perguntar nada ao doutor, simplesmente o respeitaram, pois aquela cirurgia era mais importante que tudo naquele momento.

Ao fazerem uma incisão, uma artéria foi cortada indevidamente e, ao ver aquele sangue esguichando, o Dr. Luciel não conseguiu se controlar. Suas presas apontaram imediatamente. Sua força mental conseguiu apagar todas as luzes daquele hospital. As portas magnéticas, os telefones e os elevadores também deixaram de funcionar. Uma pane geral aconteceu no sistema de alimentação, ocasionando um grave defeito na inicialização do gerador. Ali, ninguém mais entrava e ninguém mais saía. Estavam todos incomunicáveis. Dez minutos depois, tudo foi voltando ao normal e ninguém se lembrava de nada. O tempo praticamente parou ali dentro. O Dr. Luciel conseguira controlar todas aquelas mentes humanas. O paciente faleceu na cirurgia. Naquele pequeno hospital era o Dr. Luciel quem preenchia os atestados de óbito e nesse ele descreveu o seguinte:

 “Paciente vítima de acidente automobilístico. Apresentou politraumatismos e não resistiu à cirurgia. Data e hora do óbito: 07/07/2007 às 03h37”.

Chegando à sua residência, muito satisfeito ele abriu sua maleta e dela retirou vários recipientes cheios de sangue fresco. Guardou aquelas bolsas de sangue na geladeira e logo em seguida foi dormir. Mas, naquela noite, um ladrão entrou em sua casa. Após roubar os pertences que estavam em cima da mesa, não se conteve e entrou no quarto para tentar localizar o médico e, talvez, até mesmo lhe roubar a vida. Porém, ao entrar naquele quarto não encontrou ninguém. O assaltante, vendo-se sozinho, revirou todas as gavetas do guarda-roupas. Mas, ao aproximar-se da cama do Dr. Luciel, foi surpreendido por uma picada desferida em sua perna esquerda. Quando olhou para o chão, viu uma enorme serpente rajada, que imediatamente se enrolou sobre o seu corpo, desde os pés até o pescoço, sugando-lhe completamente o sangue.

O doutor, para caçar suas vítimas, conseguia até mesmo se transformar na sua versão mais original: A Serpente do Éden, ou melhor, no demônio rastejante que brindava à morte. Desde pequeno Luciel foi alimentado com resíduos do verdadeiro sangue de Caim. Suas vítimas não sentiam dor alguma. Sabem por quê ?   Porque ele era um ótimo especialista em causar letargias. Ele era o Anestesista do Mal. Talvez o símbolo da Medicina tenha alguma relação com tudo isso, mas prefiro mesmo não entrar nesses detalhes...



Sobre o símbolo de Asclépio...
Representado por um bastão tosco com uma serpente em volta, na mitologia grega Asclépio é filho de Apolo e da ninfa Coronis. Foi criado pelo centauro Quiron, que lhe ensinou o uso de plantas medicinais. Tornou-se um médico famoso e, segundo a lenda, além de curar os doentes que o procuravam, passou a ressuscitar os que ele já encontrava mortos, ultrapassando os limites da medicina. 
Foi por isso fulminado com um raio por Zeus. Após a sua morte, foi cultuado como deus da medicina, tanto na Grécia, como no Império Romano.  Em várias esculturas procedentes de templos de Asclépio greco-romanos, o deus da medicina é sempre representado segurando um bastão com uma serpente em volta, o qual se tornou o símbolo da medicina. 
Não há unanimidade de opiniões entre os historiadores da medicina sobre o simbolismo do bastão e da serpente. As seguintes interpretações têm sido admitidas: 

        Em relação ao bastão: 

        * Árvore da vida, com o seu ciclo de morte e renascimento; 
        * Símbolo do poder, como o cetro dos reis e o báculo dos bispos; 
        * Símbolo da magia, como a vara de Moisés: 
        * Apoio para as caminhadas, como o cajado dos pastores. 

        Em relação à serpente: 

        * Símbolo do bem e do mal, portanto da saúde e da doença; 
        * Símbolo da astúcia e da sagacidade; 
        * Símbolo do poder de rejuvenescimento, pela troca periódica da pele; 
        * Ser ctônico, elo entre o mundo visível e invisível. 

As serpentes não venenosas (Elaphe longissima) eram preservadas nos lares e nos templos da Grécia, não só por seu significado místico como pelo seu fim utilitário, já que devoravam os ratos.
(Wikipédia)

6 comentários:

  1. É!
    Realmente o símbolo da medicina faz uma grande referência a sua estória!!!

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  2. Olá Victtor,

    Como sempre, atenta e deliciada com as suas histórias.
    Encadeamento bíblico, depois, diremos humano e o símbolo da medicina fez-me reflectir.

    Beijos carinhosos de luz.

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  3. Tony, quer saber de uma verdade ? o porque da serpente enrolada ? Hoje em dia ela significa isso:

    ((( Se curar COBRA e se morrer também COBRA )))

    Brincadeirinha com todo respeito aos doutores e ao pessoal da saúde que fazem um belo trabalho dedicando suas vidas à medicina para salvarem
    outras vidas... isso sim que é fantástico !!!
    Um abraço Tony !



    Luz, reflita, mas não muito einh !
    Tenha um ótimo fim de semana !
    Bjs...

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  4. Visitei o blog da tua menina! Vc deve sentir muito orgulho dela...Parabéns!

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  5. Oi André suas histórias realmente são muito boas e sempre me chama muito a atenção o quanto vc estuda antes de postar cada uma delas eu cresci praticamente nos estudos biblicos e é dificil manter tudo em mente. Gostei muito de conhecer mais sobre a descendencia de Caim eu tb acho que ele foi condenado eternamente.
    Bjus
    Claudia

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  6. Obrigado Marli, sinto muito orgulho dela sim ! Bjs


    Cláudia, realmente antes de criar um conto, eu preciso pesquisar sobre o tema, levantar vários detalhes e me aprofundar neles, para que assim eu possa trazer aquela atmosfera de mistério e ao mesmo tempo de veracidade, surpreendendo as expectativas do leitor... A Bíblia é riquíssima em detalhes e cada vez que pesquiso eu aprendo mais e fico mais fascinado ! Bjs

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